sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Fase pós-eleitoral", por Dom Alfredo Scháffler

Boa reflexão para os cristãos-cidadãos da cidade de Parnaíba. Leia:

Fase pós-eleitoral
 
Passadas as eleições a consciência cidadã é desafiada a considerar que está terminada a etapa da campanha eleitoral, anunciados os vitoriosos e iniciada a fase que marca o próximo quadriênio. Esta etapa é tão, ou mais importante quanto a que culminou com a ida as urnas. Os eleitores tem o direito e o dever de acompanhar o desempenho dos seus representantes no Executivo e no Legislativo.
Este acompanhamento é uma participação cidadã de alta importância. Os eleitos estão, nem é necessário dizer, a serviço da sociedade civil. Configurada no seu tecido pelos eleitores, a sociedade tem um valor considerável, de modo que a comunidade política, constituída pelo voto, está a serviço dela.
A sociedade civil, enquanto universal, é a guardiã e destinatária do bem comum com a obrigação e o dever de exigir respeito na medida do direito de cada cidadão. A comunidade civil não pode, portanto, ser considerada, como um apêndice ou uma variável da comunidade política. A civil tem preeminência sobre a política. Sua justificação é o serviço prestado aos cidadãos, todos na construção de uma sociedade justa, solidária e depositaria de valores. A referência é aos valores relacionais, morais, éticos e de abertura a transcendência. Aqui se localiza o lugar educativo e de imprescindível contribuição que a Igreja Católica tem direito e obrigação de oferecer.
A comunidade política não é a fonte única e inesgotável na definição de valores que se constituem como parâmetro e critério para a sua orientação. Quando se pensa, por exemplo, a respeito de ideologias políticas individualistas, totalitárias e relativistas, no que concerne aos valores morais, a comunidade política precisa de instâncias de confronto que lhe podem dar novos rumos. Não se trata da constituição de bancada, por exemplo, na câmara municipal, com qualificação confessional, muitas vezes para atender a interesses de tipo cartorial. Trata-se de um indispensável confronto e presença propositiva à consciência de representantes eleitos, para que esses não se sustentem apenas no ideário ideológico de seus partidos, e nem apenas de modo individualista do tecido de sua própria consciência que precisa, é claro, ser bem permanentemente formada na direção do respeito à vida e na gestão do que é o do bem comum.
O Papa Bento XVI conclamou os bispos, na sua tarefa de ensinar, a formar a consciência moral do povo e esclarecer com veemência a doutrina moral iluminando escolhas e discernimentos no âmbito da política, para garantir rumos adequados e inequívocos quanto ao respeito à vida, desde a fecundação até a morte natural, assim na priorização da infraestrutura e erradicação da miséria.
Não se pode considerar que este período pós-eleitoral significa um silêncio ou um acompanhamento de desfechos. A fé professada com sinceridade, ancorada em referências éticas, alimenta-se de uma fonte indispensável ao exercício desse serviço prestado pela comunidade política.
O momento está exigindo e é propício para que se alcance, com mais rapidez, conquistas na infraestrutura, erradicação da miséria avanços na ciência, tecnologia, economia e educação, e ainda respeito à liberdade religiosa promoção de valores humanos, morais.
A fé cristã tem, pois, importante tarefa, também agora depois das Eleições. Enquanto que temos famílias que sobrevivem do lixo que nós jogamos fora, não podemos dizer que já se resolveu o mais elementar da dignidade das pessoas da nossa cidade.
Firme na fé e fiquem com Deus.

+ Alfredo Scháffler
Bispo de Parnaíba-PI

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