quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mônica e Agostinho

Dois santos admiráveis celebramos nessa semana: Santa Mônica (27/08) e Santo Agostinho (28/08)!
Agostinho nasceu em Tagaste, na Região de Cartago, na África, filho de Patrício, pagão, e Mônica, cristã fervorosa. Segundo narração dele próprio, Agostinho bebeu o amor de Jesus com o leite de sua mãe. Infelizmente, porém, como acontece muitas vezes, a influência do pai fez com que se retardasse o seu batismo, que ele acabou não recebendo na infância nem na juventude. Afastou-se dos ensinamentos da mãe e, por causa de más companhias, entregou-se aos vícios. Cometeu maldades, viveu no pecado durante toda a juventude, teve uma amante e um filho, e, pior, caiu na heresia gnóstica dos maniqueus, para os quais trabalhou na tradução de livros. Mas se o pecado destrói, Deus constrói: Ele pode muito mais. Não devemos desesperar da salvação de ninguém.
Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava por ele todos os dias. “Fica tranquila”, disse-lhe certa vez um bispo, “é impossível que pereça um filho de tantas lágrimas!” E foi sua oração e suas lágrimas que conseguiram a volta para Deus desse filho querido transviado. Eis o que pode a oração de uma mãe! Vê-se também como vale a primeira educação. Quem aprendeu na infância o caminho correto, a vida cristã, as virtudes primárias, se depois se embrenhar no vício, será muito mais fácil se converter do que aquele que não recebeu cedo os ensinamentos cristãos.
Dotado de inteligência admirável, professor de retórica, Agostinho dizia-se um apaixonado pela verdade, que, de tanto buscar, pela sua sincera retidão, acabou reencontrando na Igreja Católica: “ó beleza, sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te amei!”; “fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós!”: são frases comoventes escritas por ele nas suas célebres “Confissões”, onde relata a sua vida de pecador arrependido. Se você ainda não leu esse livro, eu o recomendo vivamente.
Levado pela mãe a ouvir os célebres sermões de Santo Ambrósio, bispo de Milão, e nutrido com a leitura da Sagrada Escritura e da vida dos santos, Agostinho converteu-se realmente, recebeu o Batismo aos 33 anos e dedicou-se a uma vida de estudos e oração. Ao ler a vida dos santos, exclamava: “O que estes e estas fizeram, por que não poderei eu fazer?!” Ordenado sacerdote e bispo, além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos de história da Igreja. Escreveu numerosas obras de filosofia, teologia e espiritualidade, que ainda exercem enorme influência. Foi, por isso, proclamado Doutor da Igreja. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: "É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo". Sua vida demonstra o poder da graça de Deus, o valor da oração das mães e a esperança que devemos ter na conversão de quem quer que seja.
Cito uma frase sua, para nossa reflexão: “Se você acredita no que lhe agrada nos Evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos Evangelhos que você crê, mas em você mesmo”.

Dom Fernando Arêas Rifan
Administrador Apostólico Pessoal São João Maria Vianney


Fonte: CNBB.

Convite da ordenação sacerdotal do Diác. Nairton, C. Ss. R.

Rita, Nairton, Fernando e Pe. Carlos Alberto.
No próximo dia 15 de setembro, festa de Nossa Senhora das Dores, na cidade de Piquet Carneiro-CE (Diocese de Iguatu-CE), será ordenado presbítero o Missionário Redentorista, Diácono Francisco Nairton Souza Alves, pela oração consecratória e imposição das mãos do bispo diocesano de Pesqueira-PE, Dom José Luis Salles, CSsR,
Conhecemos o Diác. Nairton nas Santas Missões Populares, em 2006, quando a Paróquia N. Sra. de Fátima, a qual pertencíamos, comemorava seus 40 anos de Missão/Evangelização Rendentorista. 
Diác. Nairton, na época seminarista, Pe. Carlos Alberto (hoje, pároco em Nazária-PI), e os leigos Fernando (Paróquia N. Sra. da Conceição, Ilha Grande do PI) e Rita (Paróquia S. Sebastião), fizeram missão em nossa comunidade.
Diácono Nairton exerceu seu diaconato temporário na Paróquia N. Sra. da Conceição, em Araioses-MA (Diocese de Brejo).
Assista o vídeo-convite de Ordenação:

Deus abençoe o Diác. Nairton, futuramente, Pe. Nairton, em seu novo ministério!

PARTICIPE DA FESTA DA PADROEIRA DE PARNAÍBA: NOSSA SENHORA MÃE DA DIVINA GRAÇA

Confira abaixo um vídeo-convite do pároco da Catedral diocesana, Pe. Antonio Soares, para a festa da padroeira diocesana de 2012 iniciada ontem, 29 de agosto e que prossegue até 8 de setembro:


Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, rogai por nós!

Mais informações, acesse matéria relacionada, aqui!

sábado, 25 de agosto de 2012

Jesus, filho único ou primogênito?

Na manhã do domingo, dia 15 de julho, antes de deixar minha residência para celebrar a Eucaristia na catedral diocesana, liguei o televisor e, durante dez minutos, assisti ao programa do "apóstolo" Valdemiro Santiago. Ele comentava uma frase do Evangelho de João: «Na verdade, nem mesmo os irmãos de Jesus acreditavam nele» (Jo 7,5). Em dado momento, exclamou: «Há uma religião que ensina tudo errado. Ela insiste em falar que Maria era virgem. Que virgem era esta se teve, com José, pelo menos cinco filhos e duas filhas?».
Entre as «religiões que ensinam tudo errado" estaria a Igreja Católica... A meu ver, porém, já passou o tempo de os cristãos perderem tempo se digladiando. Acho mais salutar fortalecer o imenso cabedal que nos foi entregue pelo Evangelho, para, juntos, enfrentarmos as prementes necessidades por que passa a sociedade atual. Aliás, era o que também ensinava São Paulo: «Com boas ou más intenções, o que importa é que Cristo seja anunciado, e eu fico contente com isso» (Fl 1,15).
Ao falar dos vários filhos de Maria, é provável que Valdemiro Santiago se refira ao que os Evangelhos mencionam por ocasião da primeira visita de Jesus a Nazaré, depois de se haver tornado conhecido em toda a Galileia. Chegado o sábado, foi rezar na sinagoga local. Por curiosidade e em sinal de respeito, foi-lhe pedido que fizesse a leitura e dirigisse a palavra. Ele aceitou de bom grado. Estava em sua terra e lá viviam seus familiares. A recepção que recebeu, porém, não foi certamente das melhores: «De onde lhe vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E estes milagres realizados por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?» (Mc 6,2-3).
Marcos menciona quatro irmãos e um número incerto de irmãs. Na passagem paralela, Mateus o imita: lembra os nomes dos homens, mas esquece as mulheres (Mt 13,55). João e Lucas são mais parcos ainda (Jo 7,5; Lc 4,22).
Como é notório, os judeus desconhecem o vocábulo "primo". Todos os parentes são chamados de irmãos. Ainda hoje, há idiomas que "misturam" as coisas, como faz o italiano com a palavra "nipote", que é aplicada indistintamente a sobrinhos e netos. O contexto é que explica do que se trata. Por mais vezes, Abraão se dirige a Ló com o apelativo "irmão" (Gn 13,8; 14,16), quando se sabe que era sobrinho (Gn 12,5). Nada de especial, se ainda hoje há Movimentos eclesiais, Congregações religiosas e até mesmo Igrejas Evangélicas onde seus membros são tratados de irmãos.
Jesus, então, era filho único ou o primogênito entre vários irmãos? O texto de Marcos revela que, contrariando a tradição judaica, Jesus não é chamado "filho de José", mas "o filho" - não "um filho" - de Maria. Ademais, dois nomes aqui elencados como irmãos de Jesus, mais tarde, no Calvário, são apresentados por Marcos e Mateus como primos, filhos de outra Maria: «Estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José» (Mc 15,40; Mt 27,56). Maria é esposa de Cléofas, provavelmente os dois discípulos que, no domingo de Páscoa, viajaram para Emaús (Cf. Jo 19,25 e Lc 24,18).
Se Jesus tivesse irmãos, não teria sido normal confiar sua mãe a eles, na hora de sua morte, ao invés de a um estranho? «Jesus, vendo a mãe e, ao lado, o discípulo predileto, disse à mãe: "Mulher, aí está o teu filho!". Depois disse ao discípulo: "Aí está a tua mãe!". Desde esse momento, o discípulo a levou para a sua casa» (Jo 19,26-27).
Mas, graças a Deus, em certo sentido - que é o mais verdadeiro, profundo e bonito - preciso concordar com Valdemiro: Jesus não é filho único de Maria. É o que assevera o Evangelho de Lucas: «Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito» (Lc 2,6-7). Jesus é o primeiro dentre uma multidão de irmãos, entre os quais estamos você e eu, amigo leitor. É o que garante São Paulo: «Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu projeto. Os que Deus antecipadamente conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito entre muitos irmãos» (Rm 8,28-29).
Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados (MS)



QUEM PODE JOGAR PEDRAS?

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados (MS)
Dos artigos que escrevo às sextas-feiras, poucos recebem comentários dos leitores. Na maioria das vezes, os que o fazem, mais do que elogios, expressam reticências. Normalmente, elas partem de pessoas que – tudo leva a crer – não integram as fileiras da Igreja Católica, ou alimentam reservas a seu respeito. De minha parte, devo ter a humildade de aceitar também as críticas, não apenas porque me ajudam a ampliar meus horizontes culturais, mas também porque, como diz a sabedoria popular, quem escreve o que quer, ouve o que não quer!
Foi o que aconteceu também com o artigo que publiquei no dia 13 de julho, sob o título: “Não façais da religião um mercado!”.
As palavras mais iradas vieram de Marcelo R. Para ele, a Igreja Católica não deveria se pronunciar sobre temas éticos, já que seu passado deixa muito a desejar: «Fala sério, meu caro Dom Redovino! Quem é a igreja católica para falar sobre comércio? Lembra das indulgências e do período das inquisições, onde os pobres eram obrigados a aceitar o cristianismo sob pena de serem mortos? Os infelizes tinham que dar suas poucas moedas de ouro para a “santa igreja” enviar a alma dos entes queridos falecidos para o céu? A religião católica é diretamente responsável pelo atraso tecnológico, econômico e cultural do mundo! Devolva as riquezas saqueadas mundo afora pela igreja! Faça a cúpula do catolicismo comer arroz e feijão! Quanto às outras religiões, realmente devo concordar: são mercantilistas e extorsionárias como vocês!».
Na verdade, se nos prendêssemos aos erros do passado, seriam poucas as pessoas, instituições e nações a quem se poderia conceder a palavra! Não a teriam os portugueses e os espanhóis, pela violência cometida contra os autóctones da América Latina. Não a teriam os índios, pelo canibalismo praticado contra os inimigos e pela multidão de crianças sacrificadas aos deuses ou por terem nascido defeituosas. Não a teríamos nós, brasileiros, pelo morticínio, inclusive de meninos, perpetrado contra os paraguaios durante a guerra da Tríplice Aliança (1864/1870). Não a teria a Turquia, pelo genocídio do povo armênio, levado adiante de 1915 a 1917. Não a teria o povo alemão, pelo silêncio que guardou durante a 2ª Guerra Mundial (1939/1945), enquanto Hitler e o nazismo massacravam os judeus. Não a teriam os bandeirantes, pela destruição das Reduções e pelas dezenas de milhares de índios que escravizaram. Não a teriam os nordestinos e os gaúchos, pelo desmatamento operado no Mato Grosso do Sul (Estado onde resido).
Mas, vale a pena insistir na lista para detectar culpados? Numa história da humanidade marcada por injustiças e preconceitos, temos o direito de avaliar o passado com critérios de hoje? Se assim agirmos, como nos julgarão os habitantes do planeta Terra daqui a 200 anos? O passado e o presente – não quero prever o futuro – são marcados por luzes e sombras. É o que acontece também na Igreja: sendo composta de pessoas humanas, em seu seio os santos e os pecadores convivem lado a lado.
Concordo com o Marcelo ao afirmar que a Igreja deveria ter sempre praticado o que prega. Isso, porém, vale para todos, até para ele: não o conhecendo pessoalmente, não sei qual é a sua atuação por um mundo mais justo e solidário. «Quem estiver sem pecado jogue a primeira pedra!» (Jo 8,7), disse Jesus a quem, julgando-se acima e melhor do que os outros, os condena sumariamente. Se foram uma multidão os cristãos que erraram no passado – e continuam errando no presente – são também uma multidão os que se dedicaram – e continuam se dedicando – à promoção da cultura, da saúde, da justiça, da paz  e da fraternidade e à defesa da dignidade humana. É por isso que são também uma multidão os que perderam e perdem a vida, perseguidos por quem se sente questionado por uma Igreja que, como Jesus, será sempre «sinal de contradição» (Lc 2,34): para uns, tábua de salvação; para outros, pedra de tropeço.
O que realmente importa é converter-se ao «amor, que apaga uma multidão de pecados» (1Pd 4,8), repara os erros do passado, dá esperança à humanidade e enternece o coração de Deus: «Haverá no céu maior alegria por um só pecador que se converte do que por noventa e nove pessoas que, por se considerarem corretas, julgam não precisar de mudança» (Lc 15,7).

Fonte: CNBB, 24/08/2012