Esta campanha inicia no domingo de Cristo Rei e segue até o 3° domingo do Advento
(este ano em 25/11 a 16/12/2012) , associando a Encarnação do Verbo e o nascimento de Jesus com a missão permanente da Igreja que é evangelizar.
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Assim nos mostra que todos devem contribuir no sentido de que a Encarnação do Verbo deve fazer com que os valores que Jesus pregou no Evangelho se encarnem na vida das pessoas, mudem o seu modo de pensar e de viver e concretizem o Reino de Deus no meio dos homens (cf. EN 19). Com a Campanha para a Evangelização todos os fiéis são chamados a adquirir uma consciência cada vez maior da sua participação na obra evangelizadora da Igreja como exigência da graça batismal e viabilizar esta participação, seja nas atividades da obra evangelizadora da sua comunidade eclesial, seja pela oração, seja pela sua oferta material que garante os recursos necessários para que a Igreja no Brasil possa realizar projetos evangelizadores.
Despertando o Compromisso com a Evangelização e a Sustentação das Pastorais
A Campanha para a Evangelização foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 1998, sendo que a coleta nacional para a evangelização acontece no 3° domingo do Advento. O valor angariado pela coleta nacional para a evangelização constitui o Fundo para a Evangelização que é administrado pela Comissão para Assuntos Financeiros da CNBB e é destinado a apoiar as estruturas da Igreja e a atividade evangelizadora a nível diocesano, regional e nacional.
O objetivo da campanha é despertar os leigos para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais da Igreja no Brasil. A colaboração dos fiéis precisa repercutir em toda a Igreja, e é por isso que o resultado do gesto concreto de cada um será partilhado, solidariamente, entre os organismos nacionais da CNBB, os seus 17 regionais e as dioceses, visando à execução das atividades evangelizadoras, programadas nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. Em um futuro próximo, pretende-se que esta campanha seja um instrumento de uma globalização solidária, com a Igreja no Brasil partilhando seus recursos com outras Igrejas mais necessitadas.
A Campanha para a Evangelização (CE) não se resume à coleta de recursos. A Evangelização precisa contar com a generosidade de muitos que, como as mulheres do Evangelho, ajudem com os bens que possuem e ofereçam a força do apoio fraterno que anima e renova. Trata-se de mobilizar a Solidariedade na Evangelização:
- Significa, primeiramente, dispor-se a ser evangelizado. Quem está em verdadeiro processo de Evangelização se torna evangelizador. A experiência do encontro vital com o Senhor modifica a vida da pessoa e impulsiona a anunciar a outros a feliz descoberta;
- Ser solidário na Evangelização é perceber as necessidades da própria comunidade e fazer algo por ela: dispor-se para um serviço concreto: animação litúrgica, catequese, promoção dos pobres, como também oferecer sua colaboração financeira – o dízimo – para a manutenção da infra-estrutura da própria comunidade;
- Ser solidário na Evangelização é cultivar a inquietação missionária de Jesus que não se deixou reter em Cafarnaum, dizendo que devia anunciar a boa nova do Reino para outras cidades, pois para isto fora enviado. Ou ter o impulso de Maria, que foi apressadamente à casa de sua prima Isabel para servi-la, mas também, com toda certeza, para partilhar a alegre notícia do iminente nascimento do Messias esperado. Ser solidário na Evangelização é “ser universal”, ou seja, ser “uma pessoa que tem responsabilidade não só sobre si, mas sobre o mundo inteiro, pelas suas opções, suas atitudes, sua consciência e seus compromissos. Numa época de globalização como a nossa, não é mais possível pensarmos em termos paroquiais, regionais ou nacionais: são âmbitos pequenos demais. Se houver salvação, será uma salvação para a humanidade toda. Se houver paz, justiça, fraternidade, vida plena para todos, será em termos planetários, ou não será!”
Ao despertar a co-responsabilidade de todos na obra evangelizadora, a Igreja também conscientiza os cristãos sobre a necessidade e a responsabilidade na sustentação das atividades pastorais, conforme alguns de seus objetivos específicos:
- Ajudar a superar a mentalidade individualista e a visão subjetiva da religião por uma atitude solidária, voltada para o bem comum;
- Propor a vivência de uma fé, testemunhada em atitudes coerentes de conversão pessoal e de transformação social segundo as exigências evangélicas;
- Garantir que a Igreja tenha recursos para o trabalho da Evangelização seja nas regiões pobres, como a Amazônia e a periferia das grandes cidades, ou nas ações das pastorais e articulação das Comunidades Eclesiais de Base, e ajudar na manutenção da própria CNBB.
Promovendo a Solidariedade Nacional entre Comunidades Cristãs
A Campanha para a Evangelização significa a abertura de um caminho para canalizar a solidariedade de todos os católicos no sustento da missão da Igreja em nosso país. Com isso, segue o exemplo das primeiras comunidades, às quais Paulo recomendava que os que têm se enriqueçam de boas obras, dêem com prodigalidade, repartam com os demais (cf. 2Cor 8 e 9).
Não será possível, por exemplo, todos saírem de sua comunidade e ir para a Amazônia, para a periferia das grandes cidades, para regiões de missão em outros países, mas todos podem colaborar de outras formas na Evangelização. Uma delas é a oferta na coleta da Evangelização no terceiro domingo do Advento. Como em toda oferta, não importa o tamanho da doação, mas a generosidade do coração. Por menor que seja, à semelhança do óbolo da viúva, testemunhará empenho com a obra da Evangelização e a capacidade da partilha solidária. A coleta será, assim, a colheita dos frutos amadurecidos no Advento para serem colocados em comum e a serviço da Evangelização.
Na Campanha para a Evangelização, a solidariedade se realiza no apoio coletivo aos trabalhos que mantêm viva e renovada a comunidade eclesial, tanto a local como a diocesana e a nacional. Cuida-se para que as comunidades cristãs sejam testemunhos vivos de Jesus e de seu Evangelho, de tal maneira que todos possam dizer: vejam como se amam! E possam acrescentar: vejam como amam o seu próximo!
E, aproximando-se delas, possam descobrir como é bom viver segundo o projeto de Deus Amor para e com toda a humanidade! Com esse espírito de solidariedade e testemunho, os recursos arrecadados por essa campanha são repartidos, seguindo critérios específicos, priorizando sempre as regiões mais carentes e as necessidades mais prementes nos diversos campos da evangelização.
Destinação das Coletas
- Dioceses: 50% do total arrecadado;
- Regionais da CNBB: 20% do total arrecadado;
- CNBB Nacional: 35% do total arrecadado.
Não se deve esquecer que a Campanha para a Evangelização com a sua coleta de recursos é também um compromisso da Igreja Católica no Brasil com a sua auto-sustentação. Até hoje, muitas pastorais, paróquias e dioceses dependem de recursos da Cooperação Internacional (contribuições de cristãos de outros países do mundo) para manutenção de suas atividades e estrutura. Espera-se que a coleta de recursos nacionais possa cada vez mais levar as comunidades a assumirem, com seus próprios recursos ou de outras comunidades irmãs, as suas atividades pastorais.
Organizando a Campanha para a Evangelização
Da mesma forma que as campanhas da Fraternidade e Missionária, a Campanha para a Evangelização precisa de organização, empenho e criatividade. Anualmente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil prepara e envia a todas as dioceses e paróquias vários subsídios para animação da Campanha para a Evangelização, em sua maioria articuladas com as mensagens do Advento, sobretudo nas atividades do Natal em Família. Além disso, são preparados panfletos com mensagens específicas; folhetos informativos para as missas dominicais e envelope para a coleta realizada no terceiro domingo do Advento.
As Equipes de Campanha (locais e diocesanas) poderão assumir também a organização e animação da Campanha Anual para a Evangelização. Para isso, deverá mobilizar as paróquias, as pastorais e serviços da Igreja para planejar e desenvolver as atividades de Campanha, tais como as sugeridas na terceira parte deste manual.
FUNDAMENTOS BÍBLICO-TEOLÓGICOS DAS CAMPANHAS DE EVANGELIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE
A questão do sustento do culto, das atividades religiosas e da responsabilidade social, assim como da responsabilidade comunitária na satisfação destas necessidades sempre estiveram presentes na história do povo de Israel e da Igreja.
Nas Sagradas Escrituras, no Antigo Testamento, encontramos diversos textos que recordam a necessidade de arrecadação de fundos e de solidariedade responsável:
OFERTAS
Geralmente doações com alguma finalidade específica, como a construção do santuário (cf. Ex 38, 24), como sacrifício (cf. Lv 1, 1-3), como primícias (cf. Lv 2, 1), como oblação (cf. Lv 2, 5), como expiação de algum pecado cometido (cf. Lv 4, 27-28), cumprimento de um voto (cf. Lv 6, 16), sacrifício de comunhão (cf. Lv 7, 28-32), ação de graças (cf. Lv 22, 29), como oferenda voluntária (Lv 23,28) e que poderão servir de alimento aos sacerdotes (cf. Lv 24, 9).
DÍZIMO
Uma espécie de imposto sagrado sobre tudo o que era produzido e que pertence ao Senhor como coisa sagrada (cf. Lv 27, 30; Dt 14,22); garantia o salário dos Levitas (cf. Nm 18, 20-21; Nm 35, 1-8) e a satisfação das suas necessidades (cf. Dt 14, 28-29. 26,12); sendo sagrado, não podia servir para nada que fosse profano (cf. Dt 26, 14; Nm 18, 25; Ag 2,13; Os 8,13).
As ofertas, na sua maioria, representam uma contribuição voluntária e sem uma freqüência determinada, enquanto o dízimo representa uma obrigação e tinha uma periodicidade bem definida. Sendo assim, o sustento do culto, da instituição e das suas obras em geral é garantido pelo dízimo, enquanto que necessidades específicas podem ser supridas através de ofertas vindas também de contribuições para coletas em vista de finalidades bem determinadas.