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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A fé que se traduz em obras: reflexões sobre "Dilexi te"

Recebemos com atenção a nova [primeira] Exortação Apostólica de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, intitulada Dilexi te (“Eu te amei”). Trata-se de um documento que nos convida a voltar ao centro de nossa fé, recordando a todos os batizados a ligação inseparável que existe entre o amor a Deus e o amor ao próximo, especialmente aos mais pobres e necessitados. O Santo Padre, com palavras claras, nos mostra que a caridade não é um apêndice ou uma atividade opcional para o cristão, mas a própria manifestação de uma fé verdadeira.
O Papa Leão XIV fundamenta sua reflexão na Palavra de Deus, lembrando que o próprio Jesus se identificou com os mais pequeninos. A passagem do Evangelho de São Mateus sobre o Juízo Final é o ponto central de todo o documento: “tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Esta não é uma bela metáfora, mas uma verdade profunda: encontrar o pobre é encontrar o próprio Cristo. O Papa nos recorda que Jesus viveu uma vida simples, nasceu em condições humildes e esteve sempre ao lado dos doentes, dos marginalizados e dos pecadores. Ser cristão, portanto, é seguir este mesmo caminho.
A Exortação Apostólica nos faz um forte apelo contra a indiferença. Em nosso mundo, é fácil nos fecharmos em nossos próprios problemas e “passar ao largo” diante do sofrimento alheio, como fizeram o sacerdote e o levita na parábola do bom samaritano. O Papa Leão XIV nos questiona diretamente sobre qual personagem escolhemos ser. A fé não pode conviver com a omissão. Somos chamados a ter um coração compassivo, que se comove com a dor do outro e se mobiliza para ajudar de forma concreta.
Este documento nos ensina que os pobres têm muito a nos oferecer. Em sua simplicidade e, muitas vezes, em sua grande fé, eles nos evangelizam. Lembram-nos do que é verdadeiramente essencial na vida, ajudando-nos a nos desapegarmos do supérfluo e a confiarmos mais na Providência de Deus. A aproximação com os necessitados é um caminho de conversão também para nós.
Portanto, a Exortação Apostólica Dilexi te é um chamado prático para todas as nossas paróquias, comunidades e famílias. Ela nos convida a examinar nossa consciência e a nos perguntarmos como estamos vivendo o mandamento do amor. Que a leitura deste documento nos impulsione a gestos concretos de solidariedade, a uma maior atenção para com aqueles que sofrem ao nosso lado e a uma fé que se traduza, verdadeiramente, em obras de misericórdia.

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

FONTE: Vatican News.

sábado, 17 de março de 2018

Comunidade reflete em famílias o tema da CF 2018

Como em toda Campanha da Fraternidade, proposta concreta de conversão do tempo quaresmal da Igreja no Brasil, realizamos encontros de oração, escuta, reflexão, debates nas famílias da comunidade.
CF 2018 - Tema: Fraternidade e superação da violência; Lema: "Vós sois todos irmãos" (Mt 23,8).
O 1º encontro ocorreu na última quinta-feira, 15, na residência de dona Jovelina. Durante a Celebração à luz da Palavra de Deus (início do 1º do livro do Êxodo) analisamos quais são os "faraós" que querem acabar com a vida do povo e quais são as "parteiras", os defensores da vida em nossa sociedade. Nos propomos a denunciar as ações contra a vida em nossa comunidade. Propomos também conhecer os Conselhos Sociais que ajudam a garantir os direitos fundamentais do cidadão: a vida, a saúde, a educação, a segurança...
O subsídio que estamos utilizando nas celebrações foi preparado por um equipe do nosso regional da CNBB NE IV. O 1º encontro teve como temática a prevenção e o combate à violência contra nossas crianças. A participação foi muito boa!
Participe também do próximo encontro, que será na próxima quinta-feira, na residência do Sr. Severiano.

domingo, 12 de abril de 2015

No II Domingo da Páscoa celebra-se a Festa da Divina Misericórdia!

Em 30 de abril de 2000, São João Paulo II, instituiu a Festa da Divina Misericórdia para toda a Igreja [Cf. Homilia]. A partir de então foi decretado que o segundo Domingo da Páscoa se chamaria Domingo da Divina Misericórdia. Segundo o Diário de Santa Faustina [Kowalska], conhecida como Apóstola da Misericórdia, o próprio Cristo pediu que a Festa da Misericórdia fosse celebrada no segundo domingo da Páscoa. Outro ponto importante presente nos escritos desta santa, canonizada por João Paulo II, foi o pedido do Senhor para que se abençoasse de forma solene neste dia o quadro de Jesus misericordioso (cf. Diário, nº 49).
Sabemos como sempre foi importante e, hoje, ainda é, o uso dos sinais visíveis e das imagens na comunicação de uma mensagem. As imagens fazem com que a mensagem seja fixada com maior claridade. Dai o sentido da propagação da divina misericórdia através do quadro de Jesus misericordioso.
A pintura aí estampada não é apenas uma arte feita por um pintor inspirado, mas é a representação da forma semelhante como Cristo apareceu para Santa Faustina contendo uma profunda catequese. As chagas nas mãos e nos pés de Cristo, os dois raios que representam o sangue e a água jorrando do seu coração (cf. Jo 19, 34) nos remetem a paixão de Jesus. Porém, o Senhor aparece ressuscitado com vestes brancas e traçando com a mão direita uma bênção. Portanto, neste quadro estão presentes dois mistérios fundamentais para a vida cristã celebrados na liturgia: a paixão, morte e ressurreição do Senhor. E os dois raios lembra os dois grandes sacramentos da Igreja: o batismo, representado pela água, e a Eucaristia, pelo sangue. A frase “Jesus, eu confio em vós”, faz recordar ao mundo mergulhado no pecado no desespero a importância da confiança na misericórdia divina.
Este ano a festa da Misericórdia vai ser celebrada no dia 12 de abril. De modo especial, o papa Francisco anunciará solenemente o Ano da Misericórdia, cuja abertura será no dia 8 de dezembro de 2015 e encerramento no dia 20 de novembro de 2016. Cada paróquia poderá celebrar esta festa de forma criativa, porém possamos, assim, não deixar este grande momento passar de forma despercebida. São João Paulo II nos exorta na sua carta sobre a Divina Misericórdia: “É preciso que o rosto genuíno da misericórdia seja sempre descoberto de maneira nova. Não obstante vários preconceitos, a misericórdia apresenta-se como particularmente necessária nos nossos tempos” (Carta Encíclica Dives in Misericórdia, nº 6).

Pe. Marcos Francisco, 
pároco da Paróquia São Francisco de Assis, em Piracuruca-PI

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Catequese sobre o culto à Maria. Leia!

A seguir, uma ótima catequese sobre nossa devoção à Mãe de Jesus e nossa mãe, pelo bispo de Amparo-SP, Dom Pedro Carlos Cipollini.

Senhora Aparecida: viva a mãe de Deus e nossa

Entre os santos de Deus está em destaque Maria, mãe de Jesus ( Mt. 2,1; Mc 3,32; Lc 2,48; Jo 19,25). É com a Bíblia na mão que a chamamos bem-aventurada. O povo louva Maria porque Deus a escolheu para ser mãe de seu filho Jesus, nosso único salvador. Ela é bem-aventurada porque acreditou!
São milhares os devotos, centenas os santuários dedicados à Mãe de Jesus. No Brasil a lembramos a festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, que hoje celebramos com alegria. Todo o Brasil conta com inúmeras Igrejas a ela dedicadas, em especial a Basílica Nacional de Aparecida. Muitas mulheres levam em seus nomes uma homenagem a Maria: Aparecida, do Carmo, da Graça, de Fátima, de Lurdes, da Penha, etc.
O culto a Maria se funda na Palavra de Deus: “Isabel cheia do Espírito Santo exclamou: bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre... Bem-aventurada aquela que acreditou...” (Lc 1,41-42;45). O Espírito Santo inspirou Isabel para reconhecer Maria como bem aventurada.
Maria recebeu de Deus a plenitude da graça e por isso é saudada pelo Anjo como “cheia de graça” (Lc 1,28). A mesma Maria, reconhecendo sua pequenez de serva disse: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada” (Lc 1,48). Durante a vida, até a última provação, quando Jesus morre na cruz diante dela, sua fé não vacilou. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé. O povo ama seu Filho Jesus Cristo “autor e consumador da fé” (Hb 12,2). Ama sua mãe, fiel discípula, a primeira que nele acreditou, aderindo ao plano de Deus, quando da anunciação do Anjo.
A devoção à Virgem Maria faz parte do culto cristão. Porém, o culto a Maria, mesmo sendo singular, é diferente do culto que se presta à Santíssima Trindade. Ao Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo, nós adoramos. Enquanto a Maria nós veneramos. Este culto de veneração se justifica porque ela é reconhecida como Mãe do Filho de Deus, é saudada como “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43). O concílio de Éfeso (ano 431) reconheceu Maria como Mãe de Deus: Mãe de Jesus, o Deus encarnado.
Maria não afasta de Jesus, pelo contrário, pede-nos que sigamos seu Filho: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Ela não é o centro da fé, o centro é Jesus. Porém Maria faz parte do centro. Ninguém como Maria teve tanta ligação com Jesus: ela o trouxe em seu ventre por nove meses, conviveu com Ele em Nazaré por trinta anos e o seguiu fielmente toda sua vida. A carne de Jesus veio de Maria.
Maria de Nazaré, “Nossa Senhora” como a chamamos com carinho, nos ajuda a crescer na fé em seu filho Jesus. Aproximemo-nos dela e ela nos ajudará a compreender os segredos de Deus revelados em seu filho Jesus, o qual ao morrer na cruz a entregou como mãe de seus discípulos ( Jo 19,27). Por isso podemos aclamar: Viva a mãe de Deus e nossa!

Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Amparo (SP)
Fonte: CNBB.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Eleições 2014: Leia a cartilha dos bispos do Piauí

"Voto não tem preço, tem consequências!" Visualize e leia abaixo uma cartilha preparada pelo Regional Nordeste IV da CNBB sobre as Eleições 2014! 


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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Declaração dos Bispos do Piauí sobre as eleições 2014

01. Nós, bispos católicos do Piauí, Regional Nordeste IV da CNBB, reunidos em Aparecida–SP, no contexto da 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nos dirigimos ao Povo de Deus de nossas Igrejas Diocesanas e a todas as pessoas de boa vontade para expressar nossas reflexões a respeito das eleições de 2014.
02. Reafirmando nossas declarações e pronunciamentos sobre os processos eleitorais de 2010 e de 2012, chamamos a atenção especialmente dos fiéis católicos sobre a responsabilidade de cada um em participar de forma consciente e ativa na escolha dos nossos representantes, valorizando a política como espaço privilegiado de exercício da cidadania, da construção de consensos e de consolidação da democracia. Longe de demonizar a política e o processo eleitoral, o cristão deve nele participar, como eleitores ou como candidatos, apresentando propostas que visem a superação da exclusão social e das situações de injustiças em vista da construção de uma sociedade democrática, justa e solidária.
03. Estas eleições se revestem de um significado especial para a sociedade brasileira, pois iremos eleger presidente da república, governador do estado, deputados e senadores. Oportunidade que deve ser valorizada para debater os problemas regionais e a partir deles pensar o estado e o país que queremos construir.
04. Entre as urgências do nosso estado, destacamos a necessidade de políticas voltadas para a regionalização do serviço público qualificado de saúde e de educação; escolas técnicas que atendam a vocação de cada região e ensino superior de excelência com ofertas de vários cursos que deem aos jovens alternativas de permanecerem em seus próprios locais de origem; geração de oportunidades de trabalho e de renda capazes de evitar o êxodo juvenil; segurança pública integradas com iniciativas que promovam a vida e a integridade, especialmente, dos mais jovens e vulneráveis. Frente ao quadro cíclico de seca que assola o semiárido piauiense, reafirmamos a urgência de estabelecer ações que possibilitem a convivência com o semiárido com definição e aceleração de políticas institucionais permanentes que garantam segurança hídrica e alimentar, incentivando o uso de tecnologias adaptadas à realidade climática da região para captação, armazenamento e distribuição das águas das chuvas.
05. Resgatando a mensagem advinda das ruas nas grandes manifestações ocorridas no país em junho e em julho de 2013, é necessário levantar o debate sobre a reforma política que mude o modo como são conduzidas as eleições liberando-as da dominação do poder econômico que favorece a corrupção, esvazia a força do voto e cria desigualdades de disputa nos pleitos eleitorais.
06. É importante assegurar, através do voto, as conquistas sociais obtidas pelo nosso povo e apoiar candidatos com ficha limpa, comprometidos com a ética, o direito, a justiça e com os anseios populares de transformação social e das profundas desigualdades estruturais que secularmente predominam em nossas regiões e em nosso país.
07. Conclamamos os cristãos a participarem com espírito evangélico da ação política, evitando que essa se torne uma coisa “suja”, pois, como afirma o Papa Francisco, “a política, tão desacreditada, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”. Por isso, cada um de nós deve se perguntar o que pode fazer para contribuir no processo eleitoral e criar mecanismos de acompanhamento que vão além das urnas exigindo dos eleitos que cumpram com responsabilidade a representação que lhes fora delegada pelo povo.
08. Nessa hora tão importante na história do povo brasileiro, relembramos as palavras do Papa Francisco, para que o Senhor “nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” e que, a partir de uma abertura à transcendência, se forme uma nova mentalidade política e econômica que ajude a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social.
Que Nossa Senhora Aparecida interceda por todo o povo do Piauí.

Fonte: CNBB - NE IV

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bela reflexão sobre São José. Leia!

O PATRONO DOS JOSÉS

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Tão comum entre nós o nome de José! É um nome hebraico, cujo significado é “aumento, acréscimo, Deus dê aumento” (Gn 30,24). E que belo nome! Nome honrado, sobretudo por dois grandes personagens bíblicos: no Antigo Testamento, José, o grande provedor do Egito, vendido por seus irmãos e depois vice-rei, figura de Jesus Cristo, e no Novo, São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus [...]
São José era de família nobre, a família real de Davi. Se a sua família ainda estivesse reinando, ele seria um príncipe. Mas a sua nobreza veio principalmente por ter sido escolhido para esposo e guarda da honra e virgindade daquela que viria a ser a mãe do Filho de Deus feito homem, Jesus.
Quando ele tinha apenas desposado Maria, primeira parte do casamento hebraico, mas antes de recebê-la em casa, ocorreu a Anunciação e a Encarnação do Filho de Deus. Maria objetou ao Anjo mensageiro a impossibilidade de ter um filho, pois “não conhecia varão” (Lc 1,34), isso apesar de ser noiva de José, o que claramente indica o seu voto de virgindade, de pleno conhecimento do seu futuro esposo. O Anjo, da parte de Deus, lhe garantiu que a concepção daquele filho não seria por obra humana, mas sim “por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). O próprio José, em sonho, foi advertido pelo anjo do que ocorrera. E ele teria como missão ser o guarda daquela Virgem Mãe e pai nutrício daquele Filho, que era realmente o Filho de Deus. E Jesus lhe dava o nome de pai, sendo conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55), tido por todos “como sendo filho de José” (Lc 3,23).
São José protegeu a Sagrada Família, sobretudo na fuga para o Egito, quando da perseguição de Herodes ao Menino Jesus. Como chefe e protetor da Sagrada Família, ele se tornou o patrono de todas as famílias. E seu modelo de amor, humildade, paciência e obediência a Deus: “Do exemplo de São José chega a todos um forte convite a desenvolver com fidelidade, simplicidade e modéstia a tarefa que a Providência nos designou” (Bento XVI).
São José é também o padroeiro dos trabalhadores porque, como carpinteiro, sustentava a Sagrada Família com o seu suor e o trabalho de suas mãos. A festa de São José, como padroeiro dos trabalhadores, se comemora no dia 1º de maio, dia do trabalho.
Antigamente havia uma festa especial para honrar o Patrocínio de São José, ou seja, sua proteção, seu amparo. Daí o nome muito comum a pessoas e cidades, Patrocínio e José do Patrocínio, em honra do patrocínio de São José.
Tendo tido a mais bela das mortes, pois morreu assistido por Jesus, que ainda não tinha começado a sua vida pública, e por Maria Santíssima, São José é invocado como padroeiro dos moribundos e patrono da boa morte.
O Papa Pio IX proclamou São José patrono da Igreja, que é a família de Deus. Por tantos gloriosos motivos, São José faz jus à honra e à devoção especial que lhe tributamos. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Em que dia nasceu Jesus?

  • Em que dia nasceu Jesus? 
Não sabemos nem o dia e nem a hora em que Maria Santíssima deu à luz ao Verbo Encarnado.
A escolha do dia 25 de dezembro foi ocasionada pela influência do mundo clássico, que celebrava o solstício de inverno, a festa pagã do deus Sol. Como Jesus disse “Eu sou a Luz do mundo”, convencionou-se celebrar nesse dia e à meia-noite, o nascimento do nosso Sol, de nosso Deus. Ele surge no meio da noite e ilumina mais que o astro sol, mais que qualquer outro emitente de luz. Ele é a própria Luz!
A primeira vez que isso aconteceu foi em Roma, no ano 336. Em seguida a celebração passou para toda a Itália, Espanha, França e demais países ocidentais.
No Oriente, o Natal era celebrado no dia 6 de janeiro. O dia 25 de dezembro passou a ser celebrado somente a partir do ano 380, em Constantinopla e na Ásia Menor. Antioquia começou a celebrá-lo em 386. Egito e Palestina, só depois, em 430.
  • Em que ano?
Como o nascimento de Jesus dividiu o tempo em “antes de Cristo” – “a.C.” e “depois de Cristo” – “d.C.”, deveria o ano zero ser o de seu nascimento. Contudo, por causa de um erro de cálculo de Dionísio Exíguo, monge do século VI, o ano do nascimento do Senhor foi marcado como sendo o ano 6 a.C., quando Roma comemorava 748 anos de sua fundação.
Corrobora a favor do ano 6 a.C., o fato doloroso de que Herodes o Grande foi o autor – a matança dos inocentes - . Tudo leva a crer que esse crime foi cometido no ano 4 a.C., quando Jesus tinha dois anos de idade. Também o recenseamento promovido por Quirino foi no ano 6 d.C.
Outro gesto interessante vem da parte dos historiadores. Eles fixaram como data da morte de Cristo, o dia 7 de abril do ano 30, isto é, quando Jesus tinha 36 anos e não 33.
Mas conhecer esses dados e debruçar-se sobre eles só faz sentido se, verdadeiramente, adoramos Jesus Cristo como nosso Deus, se o seguimos como nossa Luz, se temos nele o Caminho que nos leva ao Pai.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma bela reflexão mariana na preparação para de sua Festa da Imaculada Conceição. Leia!

"As 12 estrelas"

A bandeira da União Européia (UE), estabelecida pelo Tratado de Maastricht na década de 1990, possui 12 estrelas douradas que formam um círculo sobre um fundo azul. Essa bandeira aparece na face de todas as notas de “Euro” e as estrelas em todas as moedas. Essa bandeira foi criada pelo designer francês católico Arsène Heitz, que ganhou a competição para a escolha do símbolo maior da UE. Heitz disse que se inspirou na “Medalha Milagrosa” que ele usava no pescoço. O simbolismo da bandeira é uma clara alusão à devoção mariana, que atribui a Nossa Senhora a passagem do início do capítulo 12 do Apocalipse: “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas”. O presidente da comissão julgadora era um judeu belga que se convertera ao catolicismo e foi bastante sensível ao número 12 que, na simbologia bíblica, representa a perfeição: 12 tribos de Israel, 12 Apóstolos, 12 meses do ano, etc.
Interessante e irônico! A Europa, que cada vez mais rejeita os valores cristãos, que tinha recusado estampar a cruz na sua bandeira por ser um símbolo cristão, acabou colocando nela um símbolo mariano, honrando assim a Mãe de Jesus. “Ad Jesum per Mariam!” Parece com a história daquele ateu que não conseguia rezar o Pai-Nosso, e tentou rezar a Ave-Maria: é claro que se converteu. Chegou, por Maria, até Jesus. Caminho seguro!
A “Medalha Milagrosa”, que inspirou o designer francês, tem origem na célebre aparição de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, então noviça das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, em 27 de novembro de 1830, há precisamente 183 anos. A Virgem lhe apareceu sobre um grande globo, com os braços estendidos e dedos ornados por anéis que irradiavam luz e rodeada por uma frase que dizia: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. E lhe disse: “Faz cunhar uma medalha onde apareça minha imagem como vês agora. Todos os que a usarem receberão grandes graças”. E Maria lhe mostrou como deveria ser o verso da medalha: a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, os Corações de Jesus e de sua Mãe, contornado por uma coroa de 12 estrelas.
A frase inscrita na medalha sintetiza a mensagem que a Virgem revelou: sua Imaculada Conceição, que seria proclamada dogma de Fé em 1854, pelo Papa Pio IX, e ratificada na aparição de Lourdes em 1858, e a mediação da Mãe de Deus junto ao seu Divino Filho: Maria, Medianeira imaculada. Assim temos Nossa Senhora das Graças, da Medalha Milagrosa.
Interessante é que de início, o padre confessor de Santa Catarina, Pe. Jean Marie Aladel, não acreditou no que ela lhe contou, mas depois de dois anos de cuidadosa observação, ele se dirigiu ao Arcebispo, que ordenou a cunhagem das medalhas, que se espalharam pela Europa e por todo o mundo, sendo o veículo de inúmeras graças de Deus.
O Papa Pio XII chamou Santa Catarina Labouré de “a santa do silêncio”, pois guardou consigo até à morte o segredo dessa aparição.

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Fonte: CNBB - QUA, 27 DE NOVEMBRO DE 2013 - 14:38

domingo, 9 de junho de 2013

O Papa pecador

Houve quem ficasse surpreso quando, na audiência geral de 29 de maio passado, o Papa Francisco declarou que era pecador: “A Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Sem dúvida, ela também tem aspectos humanos; naqueles que a compõem, Pastores e fiéis, existem defeitos, imperfeições e pecados; até o Papa os tem, e tem tantos, mas é bom saber que quando nos damos conta que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que perdoa sempre”.
O Papa Francisco quer nos ensinar a humildade, que começa com a confissão de que somos pecadores. Ele é o vigário de Jesus Cristo na terra. Jesus, sendo Deus santíssimo, tomou sobre si os nossos pecados: “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus (2 Cor 5, 21). Jesus, inocente e puro, quis passar por pecador. Foi assim que ele juntou-se ao povo para receber o batismo de penitência dado por João no rio Jordão. Nós, ao invés, sendo pecadores, queremos passar por santos. E ficamos indignados quando somos tratados como pecadores! “Se dissermos que não temos pecado, estamos enganando a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1, 8).
Por isso a Igreja, mãe sábia, na sua sagrada Liturgia, nos ensina sempre a humildade: “Eu, pecador, me confesso... porque pequei muitas vezes..., por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa”; com muitas súplicas ao perdão e à misericórdia de Deus: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”.
Subliminarmente, o Papa também quer combater o carreirismo na própria Igreja, o gosto de aparecer, o desejo de nos substituirmos a Jesus Cristo, o querer, na Liturgia, por exemplo, se suplantar ao próprio Cristo, fazendo-nos os protagonistas da ação sagrada.
“Sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós” (Mt 11, 29). A humildade é fonte de paz, de fraternidade e união. É o oposto da hipocrisia. E para ser humilde é preciso ser forte, corajoso e valente. É a temática jesuítica, muito cara ao nosso Papa: “Acusar a si mesmo implica uma valentia pouco comum para abrir a porta a coisas desconhecidas e deixar que os outros vejam além de minha aparência. É renunciar à maquiagem, para que se manifeste a verdade. Na base do acusar a si mesmo, que é um meio, está a opção fundamental pelo anti-individualismo, pelo espírito de família e de Igreja que nos conduz a nos assumirmos, como bons filhos e bons irmãos, para mais tarde podermos vir a ser bons pais. Acusar a si mesmo implica uma postura basicamente comunitária...” E como ele falou na última audiência, o reconhecermo-nos pecadores atrai o perdão de Deus: “Quem acusa a si mesmo abre espaço para a misericórdia de Deus; é como o publicano que não ousa levantar seus olhos (cf. Lc 18, 13). Quem sabe acusar a si mesmo é um homem que sempre se aproximará bem dos outros, como o bom samaritano, e, nessa aproximação, o próprio Cristo realizará o acesso ao irmão” (Jorge Mario Bergoglio, S.J., Sobre a acusação de si mesmo).

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: CNBB - QUA, 05 DE JUNHO DE 2013.

sábado, 11 de maio de 2013

"Domingo esperado". Reflexão para o Dia das Mães-2013

Por ser Domingo das Mães, o dia fica muito especial. E por ser especial, é preparado com antecedência, esperado com ansiedade, precedido de diversas providências para que a festa seja garantida. 
Na verdade, o Domingo das Mães nos coloca o desafio de como celebrar todos os domingos. Todos eles podem assumir a dimensão de festa, que congrega a família, e reúne a comunidade. 
São duas realidades que precisam fazer parte de qualquer domingo que se preze: a família e a comunidade. 
Todo Domingo é dia da família, todo domingo é dia da comunidade. 
São as duas referências que situam o cotidiano de nossa existência, que tem na semana o seu ritmo, que nunca foi alterado. Tanto que até hoje nunca foi mudada a sequência dos dias da semana. 
Quando é escolhido o Domingo para assinalar uma efeméride, é sinal de que a data a ser comemorada é muito especial, a ponto de contagiar a semana toda. 
Por isto, a festa das mães não é vinculada a um dia do mês, mas a um dia da semana, no caso o domingo. Ficaria sem graça, por exemplo, celebrar o Dia das Mães numa segunda-feira. Uma festa especial requer um domingo para ser bem celebrada. 
Comparando com as festas litúrgicas, o Domingo de Páscoa serve como referência permanente para a celebração de todos os outros domingos. Ele dá o conteúdo a ser celebrado em cada domingo. Por conta disto, todos os domingos, de certa maneira viram “domingo de páscoa”, no qual celebramos o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. 
Se a páscoa fornece o conteúdo, o Domingo das Mães fornece a forma para celebrar o domingo de maneira festiva. E nos ensina que todas as realidades de nossa vida recebem um sabor melhor, e tomam seu sentido verdadeiro, quando bem assumidas, e bem celebradas de domingo. 
Assim se confirma a importante convicção da liturgia, de celebrar a memória dos mistérios de Cristo, mas também celebrar a realidade cotidiana de nossa vida, colocada à luz desses mistérios, que a iluminam, e a integram como motivo de nossa celebração. 
O domingo é o dia de recordar a memória do Senhor, mas é também o dia de celebrar nossa vida, com os muitos motivos de ação de graças que ela nos apresenta. 
Como todo domingo é dia de Páscoa, bom seria se todo domingo contasse com a dinâmica envolvente do dia das mães. Para ser preparado, aguardado com expectativa e celebrado com alegria em toda a comunidade, em todas as famílias. 
Desaprendemos a valorizar os domingos. Por isto eles perderam sua graça. 
Como no Domingo das Mães, não pode faltar na comunidade uma homenagem especial para elas. E não pode faltar na família um bom almoço, temperado com carinho e com alegria. 
Assim em todo domingo. Não pode faltar a celebração na comunidade, da qual devemos participar ao vivo. E não pode faltar a festa em família, na alegria de sentir-nos unidos e abençoados por Deus. 
Comunidade e família, os dois componentes que não podem faltar em nenhum domingo! 

Dom Luiz Demétrio Valentini 
Bispo de Jales (SP) 
Fonte: CNBB.

Maio, Mês de Maria

Ao longo de sua história, a Igreja tem colecionado orações que têm origem na cultura do povo e apresentam as riquezas e os valores do Evangelho sob roupagens diversas. Trata-se da chamada piedade popular, que alimenta e conserva a fé do povo de Deus. Por isso, a Igreja faz questão de incentivá-la, corrigindo-a quando necessário. 
Quando se trata da Mãe de Deus, as expressões populares se multiplicam. Deve-se isso ao carinho especial que todos têm pela figura materna. Crianças, jovens e adultos aprendem que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Salvador da humanidade. Ao olhar para Ele, percebem que, a seu lado, de Belém ao Calvário, está Maria – presença discreta, silenciosa e eficaz. Como ignorar aquela que é a sua Mãe? Sabem que ela tem uma missão especial, mas missão que não foi ela mesma que procurou e nem lhe foi dada por alguma criatura. A sua missão na história da salvação é fruto de uma decisão divina: “O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. A virgem se chamava Maria”. Gabriel foi apenas um mensageiro, um enviado. Falou apenas o que Deus lhe mandou que falasse. A escolha de Maria, pois, para uma missão especial junto a Cristo e à Igreja, foi uma decisão do Pai. 
Qualquer mês poderia ser o mês de Maria, mas, para chamar a nossa atenção, convencionou-se o mês de maio como o mês dedicado a Maria. E os fiéis já sentem ao se aproximar esse mês, a suavidade, a graça, a disponibilidade de nossa mãe do céu. 
Vivamos o mês de maio com toda emoção que ele nos traz. Sendo irmãos e irmãs de Jesus, sendo seu herdeiro, temos direito de fazer a experiência que, diariamente, Ele fez em Nazaré – e por trinta longos anos! Procuremos entender que as palavras de Jesus, ditas no alto da cruz: ”Eis a tua mãe!” [João 19, 27] são dirigidas a nós. E, na expressão “teu filho”, todos nós estamos presentes. 
Busquemos conhecer um pouco mais a intimidade de Maria, estrada que conduz a Cristo. Aproximemo-nos da mãe que, melhor do que qualquer outra criatura, conhece Jesus, seu Filho. Estamos sendo convidados a contemplar, todo um mês, com Maria, o rosto do Filho de Deus. Que possamos, neste mês de maio, vivenciar a trajetória de Maria, em todas as suas dificuldades, os preconceitos que ela enfrentou, a sua coragem, a sua disponibilidade, o seu silêncio, a fim de que, através dela, cheguemos a Cristo, com sua paixão, morte e ressurreição gloriosa. 

+ Eurico dos Santos Veloso 
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

domingo, 5 de maio de 2013

Reflexão: UMA HUMILDE DEVOTA DE NOSSA SENHORA

Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, tia Joana, como era conhecida por todos, foi vender suas verduras na casa de um protestante e perdeu o seu terço no jardim da casa dele. Passados alguns dias, Joana voltou novamente àquela casa a fim de ver se encontrava o seu querido terçinho. O protestante assim que a viu foi logo ao encontro de Tia Joana, dizendo para ela de modo sarcástico: 
- Você perdeu o seu Deus? 
Ela humildemente respondeu: 
- Eu, perder o meu Deus? Nunca! 
Ele, então, pegou o Terço e disse: 
- Não é este o seu Deus que idolatra? 
Tia Joana respondeu: 
- Graças a Deus o senhor encontrou o meu Terço. Muito obrigada. 
E ele disse: 
- Por que você não troca este cordão com estas sementinhas baratas pela Bíblia? 
Tia Joana respondeu: 
- Porque a Bíblia eu não sei ler, e com o Terço eu medito toda a Palavra de Deus e a guardo no coração. 
Ele disse: 
- Medita a palavra de Deus? Como assim? Pode me explicar? 
Pegando o Terço, tia Joana respondeu: 
- Posso sim. Quando eu pego a cruz, lembro-me que o Filho de Deus deu todo o Seu Sangue pregado numa Cruz para salvar a humanidade. Esta primeira conta grossa, já me lembra que há um só Deus onipotente. E estas três contas pequenas me lembram as Três Pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Essa outra conta grossa me lembra a oração que o Senhor mesmo nos ensinou que é o Pai Nosso. O terço tem 5 mistérios que fazem as 5 chagas de Jesus Cristo cravado na cruz, e cada mistério tem 10 Ave-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos que o Senhor mesmo entregou a Moisés. O Rosário de Nossa Senhora tem 15 Mistérios que são: os cinco gozosos, os cinco dolorosos e os cinco gloriosos. De manhã, quando me levanto para iniciar a luta do dia rezo os gozosos, pensando no pobre lar e na humilde vida de Jesus, Maria e José. No meio dia, no meu já grande cansaço, na fadiga do trabalho, e no pensamento do que ainda falta para terminar o dia e poder descansar, eu rezo os mistérios dolorosos, que me fazem lembrar a dura caminhada do meu Senhor Jesus Cristo para o Calvário, tão cheio de dores e tão cheio de cansaço. Quando chega o fim do dia, com as lutas todas vencidas, eu rezo os mistérios gloriosos, que me recordam que Jesus venceu a morte para, por amor, dar a salvação a toda humanidade. E agora, me diga onde está a idolatria? 
Ele, depois de ouvir tudo isso, disse simplesmente: 
- Eu não sabia disso. Ensina-me, então, a oração do Terço! 

OBSERVAÇÃO: O Beato Papa João Paulo II, em 2002, acrescentou à piedosa oração do Terço (Rosário), os “Mistérios da Luz” que falam da Vida Pública de Jesus. Assim, agora são 20 mistérios e não mais 15. 

Que tal retomarmos ou reforçarmos essa oração simples e popular que conservou e alimentou a fé de tantas pessoas? Será uma Bênção para todos nós! 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O que é a Quaresma? Confira uma ótima reflexão abaixo!

Clique sobre as imagens desse fôlder organizado por Pe. Eduardo Dougherty, SJ (Associação do Senhor Jesus) e saiba o que é e como viver a Quaresma, que iniciamos nesta Quarta-feira de Cinzas:



domingo, 23 de dezembro de 2012

A festa cristã

Neste final de semana concluímos o tempo do Advento e iniciamos o do Natal, quando estaremos celebrando, já na noite de segunda-feira próxima, a vigília da Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo! 
No momento atual, é importante colocarmos o adjetivo “cristã” na festa que ora celebramos, pois nem sempre esse aspecto fica claro para as pessoas. A imagem midiática que a maioria tem do Natal é que a data é uma ótima oportunidade de compras e vendas, de dar e receber presentes, de comidas, bebidas em abundância, de visitas de confraternizações. Para muitos, o verdadeiro sentido do Natal passa despercebido. 
Não há dúvida de que alguns desses aspectos podem até mesmo entusiasmar as pessoas, em especial as crianças, e fazem parte do imaginário que trazemos desde a infância. Passam-se os anos e a força econômica continua a investir nessa direção. 
Porém, é muito importante retomar o mistério central do Natal e central neste momento de Natal, que, de certa forma, também trazemos impresso em nossa memória: o Mistério da Encarnação celebrado nas solenidades litúrgicas que marcam essa data. 
Quantas vezes escutamos que as pessoas não puderam participar da celebração por causa das visitas dos parentes e amigos que chegaram, porque estavam preocupadas em arrumar a casa, receber as pessoas, fazer ou comprar a comida ou mesmo enfeitando a residência? 
A imagem da família indo à Igreja para participar da Missa da Noite de Natal, ou mesmo no Dia de Natal, precisa ser ainda mais incrementada como um sinal da festa que foi bem preparada: a atualização da presença do Verbo de Deus na história da humanidade. É essa experiência que permanece. O restante passa. 
A alegação do medo da violência para o deslocamento noturno é apenas uma parte da desculpa, pois para outros eventos e circunstâncias as pessoas participam durante a noite e até nas madrugadas. Embora, infelizmente, essa razão tenha algum fundo verdadeiro, mas que não exclui ainda a nossa liberdade de locomoção. Isso nos leva a trabalhar mais para que a celebração do Mistério da Encarnação modifique também esse aspecto, tornando as nossas cidades mais seguras. 
A celebração do Natal é a celebração do acontecimento único e exclusivo em nossa história: o Verbo eterno “se encarnou”, veio morar no meio de nós! Quando chegou o momento certo, Deus enviou o seu Filho nascido da Virgem Maria para ser o nosso Salvador, como havia prometido. Com o nascimento de Jesus Cristo se concretiza a nossa Redenção. Esse acontecimento é o centro da história humana. De fato, como um sinal muito claro dessa centralidade, convencionou-se que os anos sejam contados em “antes” e “depois” de Cristo. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Reflexão para a Solenidade da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria

Deus fez o homem à sua imagem e semelhança e quis torná-lo seu interlocutor, apesar de não precisar dele. Contudo o homem, não se reconheceu criatura e se ensoberbou diante dele, querendo ser igual ao Criador. Isso desestabilizou o próprio homem trazendo-lhe profundas frustrações e tornando vazio o seu coração. Não aceitando ser criatura, rompeu, de sua parte, os laços afetivos para com o Pai e para com os demais, sejam seres humanos ou quaisquer outras criaturas.
Mas Deus, que é o Pai, nesse exato momento disse que as coisas não ficariam assim, que Ele iria refazer sua criação e com isso já temos no Gênesis 3, 15 a promessa do Messias, nascido de Mulher, no trecho chamado de Proto-evangelho, isto é, a primeira boa notícia.
Na segunda leitura, extraída da Carta aos Efésios, São Paulo dá um passo avante no que ouvimos durante a leitura do Gênesis. Deus nos dá, em Jesus Cristo, um “upgrade”, pois nele somos adotados como seus filhos. Deus não volta atrás. Ele nos criou para sermos seus filhos, para dialogarmos sempre com Ele. Mesmo com o pecado, Sua força é maior, seu projeto é para sempre, sua misericórdia é eterna!
No Evangelho, o Sim de Maria à proposta de Deus, dá à Humanidade a riqueza do amor de predileção. Esse amor se torna pleno. Maria é a nova criatura, aquela que não rivaliza com Deus, mas se coloca como a humilde serva, a colaboradora, a que se sentiu profundamente amada e por isso quer colaborar, não como retribuição, mas como gesto natural, conseqüência.
Imaculada Conceição, concebida livremente, sem a possibilidade de amarras, de limites, incondicionalmente. 
Maria é a primícia da Igreja, o modelo do cristão, da Humanidade Redimida, concebida desde o início no coração de Deus, nascida de seu lado aberto na cruz, banhada em seu sangue.
Que nosso modo de ser transpareça nossa filiação divina, dentro da escola de Maria!

Pe. César Augusto dos Anjos

Liturgia da Palavra do dia:
Primeira leitura - Gn 3,9-15.20
Segunda leitura - Ef 1,3-6.11-12
Salmo - Sl 97
Evangelho - Lc 1,26-38

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Matrimônio Cristão

A diferença é brutal. Pelos anos 70 qualquer Paróquia de médio porte, alcançava um patamar de 500 casamentos por ano. Hoje a média se concentra ao redor de uma centena anual, no máximo. Durante décadas nós criticamos o luxo e a ostentação nas celebrações matrimoniais (todas querendo imitar a riqueza da família real inglesa). O motivo dessas observações era que tais exageros envergonhavam os pobres que, por essa razão, preferiam não casar na Igreja. Analisando as eventuais razões que levaram a essa amnésia da graça sacramental de Cristo, poderíamos facilmente detectar as seguintes: laicização da vida religiosa. Trata-se de um problema de fé. Um dos noivos, ou os dois, não descobrem sentido no ato religioso. Assim se ouve um vago propósito de “casar mais tarde”. Mas de momento, quando muito, casam só no civil. Outro motivo é o de deixar uma porta aberta para um eventual novo casamento. Como o casamento religioso tem uma força moral enorme para selar uma “aliança eterna”, então, para descomplicar uma eventual nova experiência, se evita a celebração religiosa que poderia exigir grandes manobras burocráticas. “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19, 6). 
Dom Aloísio
A nossa juventude católica, que não se une pelo sacramento do Matrimônio, precisa crescer na sua fé. Deve saber que a cerimônia religiosa pode ser um momento de grande graça de fidelidade e de amor que o Cristo quer conceder aos noivos. Não casar pode ser sinal de perder uma grande bênção do Pai Criador. E por outra, não querer se vincular pelos laços sagrados do matrimônio, pode significar que a confiança recíproca ainda não atingiu a maturidade. Devem prolongar o tempo de conhecimento recíproco, e só depois “ajuntar os trapos”. Mas devem casar na Igreja, para terem aquela bênção especial, que os faça acreditar na sua sublime missão de participar da obra da criação. Para o mundo inteiro, aqueles que “casam no Senhor”, são praticantes do amor que Cristo tem pela sua Igreja. E tem uma garantia de Cristo: “O Senhor é fiel, Ele haverá de vos dar forças e vos preservar do mal” (2Tes 3,3). 

Dom Aloísio Roque Oppermann 
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG) 

Fonte: CNBB: 4/12/2012.

SECA NO PIAUÍ, por Dom Alfredo Schaffler

Muitas vezes escutamos nos meios de comunicação da estiagem que atingiu o nosso Nordeste. Umas regiões a mais e outras menos. Escutamos do Estado da Bahia e Pernambuco, mas raras vezes está saindo uma notícia do nosso Piauí. Será que no nosso Piauí não aconteceu também uma grande estiagem? 
Temos municípios que ao longo do ano não tiveram nem cem milímetros de chuva. Municípios que nem conseguiram iniciar o plantio. No Centro Sul do nosso Estado, na região de Oeiras, São Raimundo Nonato e Picos, o povo grita por água. 
A água é um direito de cada ser humano. A água é algo necessário para a sobrevivência, isso não precisa se explicar para ninguém. Muito está se falando das cisternas que em parte o governo mandou construir. Sem dúvida nenhuma, uma cisterna numa casa no interior onde não se tem água perto da casa, é um alívio, é uma ajuda. Mas será que é a solução? 
A cisterna tem água quando [tem] chovido, porque na cisterna só tem água quando cai do telhado no tempo da chuva. Claro que se pode dizer: “Com um carro-pipa pode se encher a cisterna e assim armazenar a água”. Mas será que o carro-pipa chega em todas as casas onde se tem cisternas no nosso interior? Não temos muitas casas que estão se situando distante das estradas e no caminho tem tanta areia que qualquer caminhão vai atolar? 
Se cada vez mais pessoas procuram se arranjar na cidade, por quê? Se cada vez mais pessoas estão deixando o nosso interior, as roças onde plantam o seu feijão que compramos na feira, existe uma explicação. 
No centro do nosso Estado foram perfurados mais de mil poços artesianos e nunca foram colocados para funcionar. Esta informação foi o próprio governador que relatou isso num encontro que tivemos com ele. Mas eu pergunto concretamente: quantos destes poços foram colocados para fornecer água para a população? Tantos créditos que foram anunciados para amenizar os prejuízos da estiagem! Créditos até a fundo perdido! Será que vão cair novamente nas mãos daqueles que mais precisam ou vamos assistir de novo o inverso? 
E a nossa fama da indústria da seca vai se perpetuar novamente? Será que estes pequenos lavradores que tem uma pequena roça ou são meeiros tem acesso a estes créditos? 
Permitam no fim até uma pergunta: a nossa presidenta não foi também eleita pelos votos dos nossos nordestinos marcados pela estiagem? 
E agora já se escutou algo que veio fazer uma visita para conhecer [in loco] a situação deste povo sofrido, este povo sem água e sementes para plantar numa próxima chuva que todos esperam. Será que só basta para escutar para conhecer uma realidade? Creio quando estamos olhando e colocando o ouvido nestes corações sofridos, teríamos uma visão diferente da real necessidade. 
Com isso poderia se esperar que não se façam apenas promessas de ações paliativas como tantas já apresentadas. Mas se procure arregaçar as mangas para fazer opções que numa próxima estiagem nos colocam num patamar diferente. 

Firme na fé e fiquem com Deus 

Dom Alfredo Schaffler
Bispo de Parnaíba e Presidente do Regional CNBB NE-IV


Fonte: CNBB-NE IV

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"MISSA É COMO UM POEMA, NÃO SUPORTA ENFEITE NENHUM", DIZ ADÉLIA PRADO

Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia 

Por Alexandre Ribeiro 

Ao defender o esmero com as celebrações litúrgicas e a beleza como uma «necessidade vital» que deve permeá-las, a escritora brasileira Adélia Prado afirma que «a missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum». 
Papa presidindo o Santo Sacrifício da Missa.
Foto: Internet.
«A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso», enfatiza. 
[...] Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». «Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão», disse. 
«Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.» 
Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto «que tem um novo significado quanto à participação popular», ele «muitas vezes não ajuda a rezar». 
«O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração», disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote. 
Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa». 
Segundo a poeta, «a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição». 
«Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui», comentou. 
«Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto». «Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério», disse. 
De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), «muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro». 
«Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência.» 
Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica. 
«Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.» 
«A liturgia celebra o quê?» – questionou –. «O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.» 
Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo. 
«Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco», – disse –. «Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo». 
«O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério», enfatizou. 
«Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.» 
Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia «com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja». 
«E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”.» 
«Deus não é um “Companheirão”, ele não é um “Paizão”, ele não é um “Chefão”. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando», afirmou. 
Para Adélia Prado, «linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão». 
Com esse espírito, enfatizou, «nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros». 
Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia «é perfeita» na sua simplicidade. 
«Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.» 
«A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada», disse Adélia. 
E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz: 

Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa, 
o sangue sobre as toalhas, 
seu lancinante grito, 
ninguém”.

Fonte: ZENIT. Publicado em: 2/12/2007.