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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O XXI DIA MUNDIAL DO DOENTE

«Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37)

Amados irmãos e irmãs!

1. No dia 11 de Fevereiro de 2013, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, celebrar-se-á de forma solene, no Santuário mariano de Altötting, o XXI Dia Mundial do Doente. Este dia constitui, para os doentes, os operadores sanitários, os fiéis cristãos e todas as pessoas de boa vontade, «um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade» (João Paulo II,Carta de instituição do Dia Mundial do Doente, 13 de Maio de 1992, 3). Nesta circunstância, sinto-me particularmente unido a cada um de vós, amados doentes, que, nos locais de assistência e tratamento ou mesmo em casa, viveis um tempo difícil de provação por causa da doença e do sofrimento. Que cheguem a todos estas palavras tranquilizadoras dos Padres do Concílio Ecuménico Vaticano II: «Sabei que não estais (…) abandonados, nem sois inúteis: vós sois chamados por Cristo, a sua imagem viva e transparente» (Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos os que sofrem).
2. Para vos acompanhar na peregrinação espiritual que nos leva de Lourdes, lugar e símbolo de esperança e de graça, ao Santuário de Altötting, desejo propor à vossa reflexão a figura emblemática do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). A parábola evangélica narrada por São Lucas faz parte duma série de imagens e narrações tomadas da vida diária, pelas quais Jesus quer fazer compreender o amor profundo de Deus por cada ser humano, especialmente quando se encontra na doença e no sofrimento. Ao mesmo tempo, porém, com as palavras finais da parábola do Bom Samaritano – «Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37) –, o Senhor indica qual é a atitude que cada um dos seus discípulos deve ter para com os outros, particularmente se necessitados de cuidados. Trata-se, por conseguinte, de auferir do amor infinito de Deus, através de um intenso relacionamento com Ele na oração, a força para viver diariamente uma solicitude concreta, como o Bom Samaritano, por quem está ferido no corpo e no espírito, por quem pede ajuda, ainda que desconhecido e sem recursos. Isto vale não só para os agentes pastorais e sanitários, mas para todos, incluindo o próprio enfermo, que pode viver a sua condição numa perspectiva de fé: «Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor» (Enc. Spe salvi, 37).
3. Diversos Padres da Igreja viram, na figura do Bom Samaritano, o próprio Jesus e, no homem que caiu nas mãos dos salteadores, Adão, a humanidade extraviada e ferida pelo seu pecado (cf. Orígenes, Homilia sobre o Evangelho de Lucas XXXIV, 1-9; Ambrósio, Comentário ao Evangelho de São Lucas, 71-84; Agostinho, Sermão 171). Jesus é o Filho de Deus, Aquele que torna presente o amor do Pai: amor fiel, eterno, sem barreiras nem fronteiras; mas é também Aquele que «Se despoja» da sua «veste divina», que baixa da sua «condição» divina para assumir forma humana (cf. Flp 2, 6-8) e aproximar-Se do sofrimento do homem até ao ponto de descer à mansão dos mortos, como dizemos no Credo, levando esperança e luz. Ele não Se vale da sua igualdade com Deus, do seu ser Deus (cf. Flp 2, 6), mas inclina-Se, cheio de misericórdia, sobre o abismo do sofrimento humano, para nele derramar o óleo da consolação e o vinho da esperança.
4. O Ano da fé, que estamos a viver, constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro, para quem vive ao nosso lado. A propósito, desejo recordar algumas figuras, dentre as inúmeras na história da Igreja, que ajudaram as pessoas doentes a valorizar o sofrimento no plano humano e espiritual, para que sirvam de exemplo e estímulo. Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, «perita da scientia amoris» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 42), soube viver «em profunda união com a Paixão de Jesus» a doença que a levou «à morte através de grandes sofrimentos» (Audiência Geral, 6 de Abril de 2011). O Venerável Luís Novarese, de quem muitos conservam ainda hoje viva a memória, no exercício do seu ministério sentiu de modo particular a importância da oração pelos e com os doentes e atribulados, que acompanhava frequentemente aos santuários marianos, especialmente à gruta de Lourdes. Movido pela caridade para com o próximo, Raul Follereau dedicou a sua vida ao cuidado das pessoas leprosas mesmo nos cantos mais remotos da terra, promovendo entre outras coisas o Dia Mundial contra a Lepra. A Beata Teresa de Calcutá começava sempre o seu dia encontrando Jesus na Eucaristia e depois saía pelas estradas com o rosário na mão para encontrar e servir o Senhor presente nos enfermos, especialmente naqueles que não são «queridos, nem amados, nem assistidos». Santa Ana Schäffer, de Mindelstetten, soube, também ela, unir de modo exemplar os seus sofrimentos aos de Cristo: «o seu quarto de enferma transformou-se numa cela conventual, e o seu sofrimento em serviço missionário. (...) Fortalecida pela comunhão diária, tornou-se uma intercessora incansável através da oração e um espelho do amor de Deus para as numerosas pessoas que procuravam conselho» (Homilia de canonização, 21 de Outubro de 2012). No Evangelho, sobressai a figura da Bem-aventurada Virgem Maria, que segue o sofrimento do Filho até ao sacrifício supremo no Gólgota. Ela não perde jamais a esperança na vitória de Deus sobre o mal, o sofrimento e a morte, e sabe acolher, com o mesmo abraço de fé e de amor, o Filho de Deus nascido na gruta de Belém e morto na cruz. A sua confiança firme no poder de Deus é iluminada pela Ressurreição de Cristo, que dá esperança a quem se encontra no sofrimento e renova a certeza da proximidade e consolação do Senhor.
5. Por fim, quero dirigir um pensamento de viva gratidão e de encorajamento às instituições sanitárias católicas e à própria sociedade civil, às dioceses, às comunidades cristãs, às famílias religiosas comprometidas na pastoral sanitária, às associações dos operadores sanitários e do voluntariado. Possa crescer em todos a consciência de que, «ao aceitar amorosa e generosamente toda a vida humana, sobretudo se frágil e doente, a Igreja vive hoje um momento fundamental da sua missão» (João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Christifideles laici, 38).
Confio este XXI Dia Mundial do Doente à intercessão da Santíssima Virgem Maria das Graças venerada em Altötting, para que acompanhe sempre a humanidade que sofre, à procura de alívio e de esperança firme, e ajude todos quantos estão envolvidos no apostolado da misericórdia a tornar-se bons samaritanos para os seus irmãos e irmãs provados pela enfermidade e o sofrimento, enquanto de bom grado concedo a Bênção Apostólica.
Vaticano, 2 de Janeiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI


Fonte: Santa Sé.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DIA DOS FINADOS-2011

Hoje, às 9h20, na capela da comunidade, na Comemoração dos Fiéis Defuntos, vários irmãos e irmãs participaram rezando pelos seus entes queridos que já passaram para a eternidade! Nosso pároco, na homilia, comentou uma frase de um pensador israelita, Amós Oz - “ninguém morre enquanto vive na memória de alguém”. Comentou também o prefácio da liturgia eucarística da solenidade: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Nele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível [...]”
Que nossos irmãos falecidos participem da eterna glória com Deus e os Santos! Amém!
D. Dolores e D. Cecília -
durante a Festa da Padroeira 2011
Durante a Eucaristia, Pe. Vicente também administrou o Sacramento da Unção dos Enfermos às irmãs, Dolores e Cecília, com 94 e 80 anos respectivamente, e que estão sofrendo constantemente de dores nas articulações, mas que com firme fé quiseram participar da Santa Missa! Que belo exemplo para nós! Que Cristo, sofredor, mas também Ressuscitado abençoe e dê a cura a cada uma!

Leia a mensagem do Clero Diocesano para este dia:
DIA DE FINADOS 2011

Laços de sangue e gratidão nos unem além da vida. Por isso, todos os anos, no dia de finados, continuamos visitando os túmulos de nossos entes queridos.
Quantas histórias foram escritas por estas pessoas que nos antecederam!
Neste dia dos finados, lembramos de maneira especial de todos aqueles que um dia caminharam ao nosso lado, nos ensinando e testemunhando com suas vidas.
No livro de Macabeus no Antigo Testamento, escutamos que é bom rezar pelos falecidos para que Deus os livre de seus pecados [2 Mac 12, 42-46]
A morte não é o fim da vida, mas a transformação para uma nova vida.
Toda a nossa vida é a preparação para esta passagem definitiva.
Deus tem um plano para este mundo também nos dias de hoje. Ele quer que sejamos instrumentos de sua ação. Por isso, recebemos talentos, dons e inteligência para participar na construção do seu projeto. todos têm uma vocação para a eternidade.
Olhando com os olhos da fé, a vida é como um dom que recebemos e que não nos pertence. Assim, devemos vivê-la como uma dádiva da qual um dia devemos prestar contas.
Cada dia vivemos, nos aproximamos deste último dia da nossa vida.
Nada é mais certo do que a nossa morte. Mas nada é mais inseguro senão o dia e a hora da nossa morte. Quanto mais vivermos a nossa vida com fé e confiança, mais esperanças teremos relação ao futuro.
Pensar na morte não deve significar tristeza e angústia. Deve significar muito mais viver a partir da fé. A pessoa que não tem fé acredita que com a morte tudo se acaba. Sem uma vida uma vida eterna após a morte, toda a nossa vida não teria sentido algum. Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais (Jo 11,25). [...]
Acreditar na ressurreição dos mortos é abrir-se para a esperança de uma vida nova, além das fronteiras da vida terrena. É acreditar que a vida é para sempre. Não acreditar é encerrar o destino do ser humano somente nesta vida. Isto significa fechar-se-á à esperança.
Como São Francisco de Assis vamos então rezar: “Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã a morte corporal, da qual o homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal. Felizes aqueles que ela encontrar conforme a nossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhe fará mal”.